Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
18 de Novembro de 2009

Sweetheart

 

Deito-me e embrulho-me no meio dos lençõis, apago a luz, sorrio e ligo-te. Tu atendes e eu continuo a sorrir enquanto te digo com uma voz cantante que temos de conversar e que tenho uma pergunta importante para te fazer.

Como se te fosse perguntar se gostavas dos crepes do café novo ou a que horas acordavas amanha perguntei-te se aceitavas o compromisso de namorar comigo.

Não respondes-te logo, nem eu desejava isso, perguntei-te onde estava a tua  mente e começamos a falar de edificios com uma porta de vidro do chão até ao terceiro andar, das histórias que as pessoas contam, das cenas de um dos nossos filmes favoritos ao dizer coisas como: -Oh carl, that's so sweet. -Thank you Faranoush, e rimo-nos do segurança do parque de campismo.

Falamos de prendas para oferecer e para desejar, da reprografia que não imprimia documentos, do fim-de-semana a chegar e da tua capacidade inata de arruinar qualquer conversa séria.

Depois disseste que gostavas muito de mim e que aceitavas o compromisso de me namorar, quando eu ainda estava a pensar no prédio com uma porta de vidro até ao terceiro andar.

And so we say goodnight and go

 

Your sweetheart




Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
9 de Novembro de 2009

A kind of Bloom

 

Acho uma certa piada ao facto de tu me considerares fixe. Acho que isso acontece por eu não saber exactamente o significado de tal conceito. Alguém chamado Bang Bang é fixe por todo o mistério envolvente no seu silêncio, pelo soar do seu nome e pela tatuagem atrás do pescoço com a inscrição:” “ Mas eu, porque sou fixe? Será pelas despedidas ao fim do dia quando te dou um beijo e digo entre a multidão: Isso é batota – deixando-te confuso e a perguntar porquê - ao que eu respondo sem hesitar: Ser eu a dar. E entretanto já desapareci no frio. Acharás isso fixe?

Depois disso caminho pela rua de guarda-chuva aberto e olhar em frente, com passo apressado mas sem pressa alguma, com a boca pintada a vermelho, fechada como que desenhada com um traço e com a música de sempre na cabeça. Fico com vontade de me sentar num degrau da rua e ficar ai a pensar porque sou fixe.

Sinto-me uma autêntica Bang Bang neste momento.

 

Aprendiz de Bang Bang




Domingo, 1 de Novembro de 2009
1 de Novembro de 2009

Meu querido

 

Durante tempos fui fiel ao romantismo, não ao romantismo vulgar mas àquele romantismo literal que cantavam poetas europeus ao fim das tardes de inverno sob o nevoeiro e o frio.

Era fiel a um romantismo de exclusividade, a uma espécie de maçonaria do romance em que só à dois protagonistas que conhecem as regras e os códigos.

Depois cresci, oh e como cresci neste espaço de tempo, deixei-me de romantismos e futilidades de tal ordem, troquei os saltos de nove centímetros pelas sabrinas para estar mais perto do chão e deixei de pronunciar palavras que me soavam estranhas e distantes e me faziam vontade de percorrer um mundo e sussurrar oh meu querido tu estás tão longe.

Assim dediquei-me à arte de desapaixonar e à sabedoria de amar para em dias como hoje passearmos à chuva e conversarmos lado a lado a olhar para o mundo.

 

Your darling




Sábado, 31 de Outubro de 2009
31 de Outubro de 2009

Estranho

 

Prometo que escreverei em breve, quando a minha mente voltar a encontrar espaço para episódios da vida romântica. Até lá ouvirei música.

 

 

Inês




Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
6 de Outubro de 2009

Mrs rain

 

-Não é fantástico? Está a chover.- Digo-te eu a cantarolar ao telefone enquanto do lado de lá ouço vento e o som estridente dos autocarros a chegar e a partir.

Dizes-me para ficar em casa durante a tarde, para me aconchegar na manta que ainda só serviu para decoração, para ver mil e um filmes e ler um ou mil livros, persuades-me com o sorriso que não vejo mas ouço para ficar do lado de dentro da porta e da parte seca das janelas.

Lembras-me das músicas que ainda não ouvi e de como era cedo quando acordei.

Subtilmente como se de um publicitário te tratasses mostras-me um mundo de fantasia e conforto e eu tendencialmente seduzida mas com a esperteza à espreita digo-te que não.

Afirmo que estou pronta para sair e que não tenho razões para ficar, que se a chuva é bonita de dentro melhor ainda é senti-la lá fora e que quanto à preguiça esta se perdeu por volta das sete e cinquenta e quatro da manhã num golo de café encharcado em açucar tomado quase por engano.

Enquanto caminhava depressa pelo atraso e balançava o guarda-chuva pela direcção do vento escrevi-te: Se me dissesses que estarias aqui, que continuaria a chover, que estarias aqui, que continuaria frio, que estarias aqui, que iamos ter música para ouvir, que estarias aqui, que viamos um filme, que estarias aqui, que dariamos uso à minha manta, que estarias aqui...oh meu querido num segundo estaria em casa sem um unico vestigio que alguma vez pensei sair de casa.

 

Miss Rain


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Escrito por: Inês às 21:57
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
24 de Setembro de 2009

Minha paixão

 

Pergunto-te ao anoitecer o que te passa pela cabeça, pergunto-te em que pensas tu neste presente em que vivemos, enquanto vais respondendo eu vou pensando no que entra e sai da minha cabeça e sobretudo em tudo o que lá permanece tal qual exposição permanente.

Penso nos caprichos e paixões que sigo de olhos vendados, hoje num suspiro afirmei vencida: não tenho olhos para nada mais, nestas alturas nada mais me encanta, vivo uma paixão de cada vez que me ocupa cada cubículo do pensamento, e suspirei de novo sem saber se era de felicidade ou tristeza.

Depois podia dizer o quanto penso em ti e desencadear uma carta de amor baseada em desejos de beijos intermináveis, mas não.

Tu estás sempre comigo e há sempre tanto a conversar, como posso afirmar sentir falta de ti? ou dizer que preciso de ti? Não é que me orgulhe de tal facto ,aliás até sinto um pouco de medo ao admiti-lo com medo de deixar de sentir saudades tuas mas por agora meu amor o que ocupa a minha mente são as paixões do dia-a-dia, a fotografia que ainda não tirei ao senhor que fuma na janela sem saber que eu o estou a ver, o livro que quero ler para saciar a minha constante necessidade de conhecimento, e tudo o resto que me apaixona para depois me desencantar.

Tu, minha velha paixão, adquiris-te estatuto permanente na exposição da minha mente, perdes-te a efemeridade de uma paixão do dia-a-dia.

Tua paixão



Escrito por: Inês às 21:14
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
17 de Setembro de 2009

My darling

 

Foi à um ano atrás, mais coisa menos coisa, perguntaram-me como tinha sido o meu verão. Sorri com a simpatia e contei apressada e sem pormenor o meu doce verão enquanto na minha mente retratava com todo o pormenor o que fiz.

Tomava os pequenos almoços ao teu lado numa pequena esplanada em plena rua de comércio, bebiamos sumo de laranja natural e comiamos croassaits fresquinhos, passeavamos a manhã inteira ainda cedo e aproveitavamos a solidão dos madrugadores.

O almoço encontrava-se num pequeno restaurante de uma rua estreita ou então um cavalheiro dos tempos de antes que nos julgava turistas aconselhava-nos os melhores petiscos da região, e nós riamos baixinho e trocavamos olhares discretos, o quanto nós conheciamos aqueles sitios.

A tarde, oh a tarde era feita de sestas na relva ou de leituras ao som das músicas de sempre que cantavam melodicamente e sem parar: "Sooner or later I'm gonna get through to you  I'm telling you baby, there's nothing in the world you can do I've got time on my side along for the ride And everything is setting like the sun And this moment has just begun".

E quando me apercebi, dos aproximadamente noventa e dois dias de férias, só me lembrava da ultima semana, daquela em que dia sim dia sim começava e acabava contigo.

 

Your darling

 



Escrito por: Inês às 22:06
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
7 de Setembro de 2009

My favorite guy

 

Havia um perfume adocicado à minha volta enquanto estavas comigo à sete dias e meio atrás, um perfume que se entranhava e se espalhava pela casa e pelas redondezas, era pura alfazema.

Cheirava a alfazema cada manhã quando fingia dormir para ver como me irias acordar nesse dia, cheirava a alfazema quando me deitava na relva e tu exclamado dizias:"Ah os teus olhos ficaram azuis à passagem do céu", cheirava a alfazema quando entre tintas e pincéis me ajudavas a mover as aguarelas ao sabor do vento e cheirava a alfazema cada noite enquanto passava sempre o mesmo filme que ninguém estava a ver.

Até cheirava a alfazema quando nos perdíamos nas ruas da cidade a que chamamos nossas enquanto eu com a câmara fotografava mundos e fundos e ria baixinho ao ouvir: "Oh menina tire aqui uma foto ao calceteiro".

Quando chegou o dia de tu partires dei-te um pouco de alfazema para levares para ti, ia pressa com uma bonita fita verde, cor dos trevos que procuramos no meu jardim, e quando a guardas-te na tua mochila e partiste todo o cheiro desapareceu, esse cheiro adocicado que como diria Eça de Queirós: "é um perfume adocicado que sai das coisas, perturba e entristece".

Outrora perturbou e agora resta entristecer.

 

Your favorite girl

 

 



Escrito por: Inês às 17:32
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
23 de Agosto de 2009

Mrs P.

 

Preparo cuidadosamente o espaço à minha volta para a tua chegada amanhã. A cama com os lençóis esticados e a colcha de renda por cima dobrada com todo o cuidado que à tua chegada não tardará a perder a sua compostura. Os quadros espalhados para o teu olhar apreciar e criticar, a roupa arrumada ,a persiana semi descida e a janela aberta.

Tratarei agora de mim, limparei as manchas de tinta que me salpicaram o corpo enquanto o vento me perturbava a pintura, usarei o melhor gel de banho que encontrar no armário, talvez aquele que é de bagnodoccia mas que eu acho que cheira a pó talco e o champõ será de maça, por todas as vezes que te contei como a minha almofada cheirava a maça depois de lavar o cabelo.

O vestido destinado está lavado e passado e a carta de amor a ser entregue está já deitada no poço do esquecimento.

Que crime seria oferecer-te uma carta estando eu na tua presença, seria a honra da distancia e a vergonha dos carteiros.

Sendo assim em vez de carta estarei eu, com cheiro a bagnodoccia maça e talvez lavanda ,um vestido de verão cuja aragem fará voar e o cabelo penteado mil e uma vezes para depois logo se despentear.

Se não te fizer apaixonar de novo teres de continuar a contar:"Foi pelos seus bonitos olhos "

 

Miss I.




Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
17 de Agosto de 2009

Fantasma

 

Perguntaram-me se era bailarina, diziam que não tocava com toda a planta do pé no chão ao andar, que ao caminhar fazia uma especie de dança treinada ,que uma rajada de vento me fazia cambalear e que os meus pés se apoiavam apenas nas pontas com uma facilidade assustadora mesmo quando não era preciso chegar mais alto.

Afirmaram que qualquer movimento meu parecia planeado ao segundo e que nenhum gesto parecia pouco gracioso.

Depois havia os outros dias, os dias em que os meus pés se arrastavam como se fossem pesados demais, os dias em que caia mas em que o vento não me levantava um milemetro do chão, os dias em que o mundo perdia o encanto.

Era uma especie de desconcentração que me roubava o equilibrio ,uma tristeza acumulada que só passava na meia noite seguinte, ao teu voltar e ao teu afirmar que amanha estarias comigo e tudo seria leve outra vez.

 

Bailarina

 




Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
12 de Agosto de 2009

Meu querido (no) mês de Agosto:

 

Anunciei a amigas e importâncias de tal ordem que a noite se reservava a ti e que no boletim meteorológico estava presente uma queda de chuva de estrelas.

Foste-me buscar à tenda, pois o teu cavalheirismo nem no campo se estragou ,e sem ser preciso ir buscar recursos ao mercado negro para nos mantermos quentes ao chegar da madrugada ,deixamo-nos ficar e pernoitar entre arvores.

Tornamo-nos representantes do mundo e da noite nesse instante, uma espécie de guardas nocturnos dos quatro elementos.

Se tu olhavas para mim e para o ar eu olhava para ti e para a terra, se tu olhavas para mim e para a agua eu olhava para ti e para o fogo.

Deixamo-nos ficar no doce silêncio a apreciar a ausencia das esperadas estrelas e a aragem na cara que não ameaçava frio mas que passado uma noite ameaçou dor de garganta.

No dia seguinte ao acordar às horas que o sol entendeu cantaste-me uma canção, jamais saberei o que foi, só me lembro da melodia da tua voz em tom cantante muito perto de mim tal qual o chão onde adormeci.

 

Tua,tua,tua

 



Escrito por: Inês às 22:03
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
3 de Agosto de 2009

Curioso Viajante

 

Na ociosidade do verão e na preguiça do sofá estava a assistir ,apesar de toda a minha distracção, a um daqueles bonitos anúncios , daqueles com campos verdejantes ,pessoas felizes, músicas que soam a estrangeiro e sol sempre a espreitar pelas janelas.

O paraíso que mostravam era a Polónia desta vez.

Pensei então em seguir as tuas palavras e dizer:"Um dia vou e nunca mais volto", voltaria só para te buscar a ti (Quase que não contas uma vez que és uma espécie de continuidade do meu ser) e partiríamos como se não houvesse amanha.

Mas depois eu voltava, ficaria aqui até partir de novo contigo para nunca mais voltar, e um dia talvez deixássemos essa luxúria de vaguear pela Europa em busca de Bonecas Russas, mascaras de Veneza, chocolate Suíço e preciosidades de tal ordem.

Um dia talvez comecemos a nadar na praia até à bóia amarela que se vê ao longe, depois talvez um pouco mais só para experimentar e quase sem querer vamos até África a navegar só com os braços para quando lá chegarmos apenas descansar ,e como é difícil de resistir ,namorar.

 

Tua Boneca Russa




Terça-feira, 28 de Julho de 2009
28 de Julho de 2009

Meu querido

 

Um dia fugimos os dois. Apoderamo-nos do verbo que aprendi a ler Mia Couto e "borboletamos" para sítio algum ou para sitio nenhum.

Agarrávamos na polaróide com pressa e cautela e num caderno de folhas amarelas e partiríamos. Na polaróide guardávamos os corpos, no instante preciso de cada momento, num tom amarelado e velho a que chamam sepia para um dia a nostalgia crescer , no caderno escreveria a minha alma enquanto desenhavas o mundo.

Tu protegerias a minha alma de noite e eu protegia a tua de dia, tudo em segredo para não subestimar a arte que ganhamos a protegemos nos sozinhos.

Ao anoitecer dormiríamos a ver o céu negro.

Um dia fugimos, eu escrevo, tu desenhas, e apaixonamos.

 

Tua Inês

 

 




Terça-feira, 21 de Julho de 2009
21 de Julho de 2009

Minha alma

 

O calor do verão já não é o que era. Os dias passam devagar e sonolentos e o céu azul sobrepõem-se sobre qualquer nuvem de fumo tal qual sinais índios que me possas ter mandado.

Estou a esforçar-me ,a testar a minha tentação ,de recair na dramatização dos dias sem ti para não me rotulares de tua amante presa num romantismo tresloucado.

Tenho passado os dias a catalogar pensamentos ,como rapariga organizada que sou, começo e acabo contigo, mas tudo numa ordem divina.

Tenho passeado na praia de manhã, antes da confusão e do tilintar dos sinos presos às arcas a transbordar de bolas de Berlim, tenho andado até me cansar e decidir voltar para trás e sentar-me na areia sem toalha, para sentir a areia.

Um dia destes, lembro-me de ti, e sigo sempre em frente.

 

Tua romântica tresloucada

 

 




Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
13 de Julho de 2009

Namorado

 

Faz saudade de dançar contigo, talvez porque nunca dancei, apenas me imaginei ,tal qual Dorothy de sapatos vermelhos, a rodopiar nos teus braços até os sapatos caírem no chão.

Saudade essa baseada na fundamentada teoria da contradição que se torna manifesto do meu dançar entre as claves de sol.

 

Namorada




Domingo, 12 de Julho de 2009
12 de Julho de 2009

Por teus olhos laranja

 

Respiro ares de verão , sinto a doçura do teu ser no meu espaço ,enquanto leve e inconscientemente tento apagar o que já quase esqueci (eu sei o que fizeste no verão passado) trocando a entropia pela redundância e num segundo, num piscar dos meus olhos verdes dou meia volta ao mundo e volto para os abrir e ver os teus olhos laranjas.

E tu sorris, demorou três segundos.

Devo ter andado pelo mundo ao contrário ,tipo viajante no tempo que avança e recua, que se move para trás e para a frente, porque no instante certo ,nos três segundos do teu sorriso eu perdi-me e deixei de saber o que foi afinal que tu fizeste no verão passado.

Ficamos assim, a norte da fronteira e a este do sol, rendidos por natural contentamento enquanto deixámos que o não dito ficasse pelo dito e o gostável se torna-se num silêncio ameno num dia de verão e num flash transparente.

 

Por meus olhos verdes

 




Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
9 de Julho de 2009

A quem não esqueci

 

Procuro por ti. Apareces só na névoa de um cruzamento de rua entre o velho barbeiro que ameaça fechar e um resto da pequena cidade que ameaça desaparecer entre suspiros teus e meus.

Penso por vezes nos dias sem fim e nas esperas sem demoras. Tento acreditar na possibilidade, capacidade, oportunidade e poder de te ver ,como objecto de culto ,tal qual obra de arte no museu da contemporaneidade que é o mundo em que vivemos.

Possibilidade esse repleta de obstáculos que talvez no meio de um tudo ou nada se perca, numa memória ,numa pequena cidade que já não existe.

Há o café das bebidas de tarde e os fins de dia repletos de um sol que tornava tudo dourado, os encontros de embaraço e os olhares pregados ao chão.

Há as mensagens apagadas antes de se enviarem numa espécie de cliché, há os telefonemas repletos de presságios, e os horoscópio que ameaçam cobras e lagartos.

Há as paginas de Internet em que vagueie e nunca nunca nunca te encontrei.

Ficou a memória que desaparece dia após dia, a lembrança de ti parece ter a duração de uma limonada num dia de verão, e apesar de tudo eu ainda te procuro, sem nunca te dizer que seria uma pena esquecer-te.

 

Ainda procuro

 



Escrito por: Inês às 19:14
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Domingo, 5 de Julho de 2009
6 de Julho de 2009

Nothing compared...

 

Desconheciamo-nos. Ouvi uma música perguntei te quem cantava. Tu respondeste, eu não ouvi. Estavas à minha frente no autocarro, eu escolhi o ultimo banco ,poderias assim ir para ao pé de mim (agora sei bem, meu amor, que ambos preferimos os lugares da frente) tu não foste (melhor assim) fiquei te a observar sem compromisso. Não sabia se ia demorar uma hora ou uma vida (desejava a segunda opção). Quem sabia na altura se te voltaria a ver. Nem sabia se queria. Quem era eu para saber algo com os meus almost sweet sixteen? Acreditava no desconhecido, no sonho, na feliz lembrança de uma viagem. Como se fosses o meu postal.

Ouvia vezes e vezes sem conta a música, nem conseguia distinguir a letra que cantava, tudo parecia muito alto, o sono roubava-me a percepção e a música dava-me ilusão.

Tu tossis-te. Levantei-me de um sobressalto. Toquei-te ao de leve no cabelo acastahado com reflexos laranjas (logo me arrependi por vergonha e inocencia subtil). Disses-te que estavas bem e um doce "Obrigada por perguntares" eu sorri ( ainda sorrio).

O autocarro parou. Eu vi-te. Tu viste-me. Era a ultima vez?

Tu foste buscar as coisas ,eu levantei-me. Tu saiste à minha frente e eu atrás de ti. Eu fui para a direita e tu para a esquerda. Eu olhei para trás e tu também.

 

...to you

 



Escrito por: Inês às 18:54
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5 de Julho de 2009

Pedro

 

Quando voltas?

 

Inês



Escrito por: Inês às 17:15
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
3 de Julho de 2009

Honey Bunny

 

Volta depressa. Somos melhores juntos ,na nossa fortaleza imaginária estilo Siza Viera, esse teu herói que tu sonhas ser.

Voltemos a esse novo mundo tão diferente dos clássicos de outrora ,cuja arquitectura nos esconde de fora com todas as suas paredes brancas e lisas e as suas imensas janelas viradas para dentro ,para eu nunca te perder e para tu nunca deixares de me ver.

Quando voltas? pergunto eu, tua Lolla, que se sente agora de fora do nosso mundo físico, que se sente fora das muralhas do nosso paraíso enquanto anseio que voltes.

Sentar-me-ei agora a sonhar, entretanto tu apareces como meu divisor comum e eu fico na minha doce felicidade da saudade ,entre o apaixonante e o frágil, enquanto relembro a nossa despedida e as minhas lágrimas de palhaço.

 

Honey Lolla



Escrito por: Inês às 21:07
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